UVA/CEPEA: Safra avança na Serra Gaúcha com boa qualidade.
A safra 2025/26 de uvas na Serra Gaúcha segue em ritmo avançado, favorecida por condições climáticas que, de modo geral, têm contribuído para a qualidade das frutas. Segundo o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar (nº 1905 – 5 fev. 2026), o bom regime de chuvas até o final de dezembro, aliado a noites mais frias, alongou o ciclo e resultou em maturação mais tardia nesta temporada. Já a redução das precipitações em janeiro favoreceu o acúmulo de açúcares, elevando o potencial de vinificação, especialmente das variedades destinadas à elaboração de vinhos finos e espumantes.
Nos principais polos produtores da Serra e da Campanha, como Santana do Livramento e Caxias do Sul, a colheita segue concentrada nas cultivares mais precoces, como chardonnay, pinot noir, gewürztraminer e moscato, enquanto as tintas viníferas (tannat, merlot e cabernet sauvignon) devem ganhar ritmo na segunda quinzena de fevereiro. Até o momento, as produtividades superam em cerca de 20% as de duas safras anteriores. Entre as viníferas, chardonnay e pinot noir se destacam diante da maior demanda por espumantes, com preços entre R$ 6,00 e R$ 7,50/kg, ao passo que as tintas para vinificação tradicional enfrentam comercialização mais cautelosa, pressionadas pela concorrência de importados, com valores entre R$ 3,00 e R$ 5,00/kg.
No segmento de mesa, a colheita das variedades americanas, como niágara e concord, caminha para a fase final em diversas microrregiões. Em algumas áreas, mais de 90% da produção destinada ao consumo in natura já foi colhida e comercializada, com produtividades médias variando de 20 a 30 t/ha, a depender da localidade. A qualidade sanitária dos parreirais é considerada satisfatória, embora episódios pontuais de granizo, como em Flores da Cunha, tenham provocado perdas localizadas, especialmente em vinhedos próximos à colheita.
No mercado atacadista, a maior oferta de niágara pressionou as cotações na última semana. No Ceasa Serra, os preços recuaram de R$ 5,17 para R$ 3,75/kg. Na venda direta na propriedade, os valores oscilaram entre R$ 2,00 e R$ 3,00/kg, enquanto em vendas ao consumidor final, em algumas praças, os preços alcançaram de R$ 6,00 a R$ 7,00/kg. Já para uvas destinadas ao processamento, parte significativa da safra ainda está em negociação, com cerca de 40% comercializada em determinadas regiões. No varejo, a maior disponibilidade de uvas tem mantido o abastecimento regular, mas com menor sustentação de preços para as americanas. Por outro lado, as viníferas brancas seguem com melhor escoamento, impulsionadas pela indústria de espumantes.
Para as próximas semanas, a expectativa é de continuidade da colheita das viníferas tintas e manutenção do bom padrão de qualidade, caso o clima permaneça estável. No mercado, a tendência é de preços mais firmes para uvas destinadas a espumantes, enquanto as variedades tintas e as americanas podem seguir sob pressão, diante da oferta elevada e do cenário mais competitivo frente aos importados.
Fonte: hfbrasil.org.br

