A logística do transporte rodoviário de cana-de-açúcar no Brasil.
O Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar, base para a produção de açúcar, etanol e energia elétrica a partir da biomassa. A competitividade dessa cadeia produtiva não depende apenas da qualidade da matéria-prima e da eficiência industrial, mas também da logística que conecta os campos de produção às usinas. Nesse contexto, o transporte rodoviário desempenha papel central, pois é o principal modal utilizado no país para movimentar a cana-de-açúcar.
Predominância do transporte rodoviário
Apesar da extensa malha ferroviária e hidroviária brasileira, o transporte rodoviário é responsável por mais de 90% do deslocamento da cana até as usinas. Essa predominância se deve à localização das lavouras, muitas vezes espalhadas em áreas interioranas, de difícil acesso por outros modais. A flexibilidade do transporte por caminhões permite maior capilaridade e rapidez no atendimento às demandas da colheita, que ocorre em grandes volumes e em janelas de tempo bastante específicas.
Desafios logísticos
O transporte rodoviário de cana-de-açúcar apresenta particularidades que exigem planejamento detalhado. A cana colhida é altamente perecível, devendo ser processada rapidamente para evitar perdas de sacarose. Assim, a logística precisa garantir que o tempo entre a colheita e a chegada à usina não ultrapasse, em média, 24 horas.
Outro ponto crítico é o volume transportado: um único caminhão pode carregar entre 60 e 80 toneladas, e as usinas chegam a receber milhares de toneladas diariamente. Isso implica em intenso fluxo de veículos pesados nas rodovias e estradas vicinais, aumentando custos com combustível, manutenção e pedágios, além de gerar desgaste na infraestrutura viária.
Custos e eficiência
O transporte rodoviário representa um dos maiores custos logísticos do setor sucroenergético. Estima-se que, em algumas regiões, mais de 30% do custo total da produção de etanol esteja relacionado ao transporte da cana. Por isso, iniciativas para aumentar a eficiência, como o uso de veículos de alta capacidade (rodotrens e treminhões), sistemas de monitoramento por GPS e roteirização inteligente, têm sido cada vez mais incorporadas.
Além disso, há esforços em otimizar a distância entre áreas de plantio e usinas, reduzindo o raio médio de transporte. Essa estratégia busca minimizar perdas econômicas e ambientais, uma vez que menores distâncias também significam menor emissão de gases poluentes.
Sustentabilidade e perspectivas
O setor busca soluções para equilibrar eficiência logística com sustentabilidade. Investimentos em estradas rurais, manutenção preventiva de frotas, combustíveis alternativos e integração com outros modais — como ferrovias para longas distâncias — estão em discussão. No futuro, a tendência é que tecnologias como veículos autônomos, inteligência artificial para gestão de rotas e uso de biocombustíveis no transporte ganhem relevância, reforçando o papel do Brasil como referência mundial na produção sustentável de cana-de-açúcar.
A logística do transporte rodoviário de cana-de-açúcar no Brasil é estratégica para a competitividade do setor sucroenergético. Ao mesmo tempo em que garante flexibilidade e capilaridade, enfrenta desafios de custo, eficiência e impacto ambiental. Melhorias na infraestrutura, na gestão da frota e na integração de modais são fundamentais para reduzir gargalos e sustentar o crescimento da produção brasileira, mantendo sua liderança global.
Marcos Paes.

