Aplicação de Ureia Protegida em Áreas de Pastagens Intensivas.
A intensificação das pastagens tem se tornado uma estratégia essencial para aumentar a produtividade pecuária sem a necessidade de ampliar áreas de cultivo. Nesse contexto, o uso eficiente de fertilizantes nitrogenados é um dos pilares do manejo moderno, e a ureia protegida tem se destacado como uma alternativa tecnológica capaz de otimizar o aproveitamento do nitrogênio e reduzir perdas no sistema solo-planta.
A ureia é uma das principais fontes de nitrogênio utilizadas na agricultura e na pecuária, devido ao seu alto teor do nutriente (cerca de 45%) e ao custo competitivo. No entanto, quando aplicada superficialmente, especialmente em áreas de pastagem, está sujeita a perdas significativas por volatilização de amônia, principalmente em condições de alta temperatura, baixa umidade e presença de resíduos vegetais na superfície do solo. Tais perdas podem chegar a 40% ou mais do total aplicado, comprometendo a eficiência e elevando o custo de produção.
A ureia protegida, também conhecida como ureia com inibidor de urease ou ureia tratada com revestimentos especiais, foi desenvolvida justamente para minimizar essas perdas. O princípio da tecnologia é retardar a hidrólise da ureia — processo que libera amônia —, permitindo que o fertilizante permaneça mais tempo disponível no solo até que ocorram condições favoráveis à absorção pelas raízes das gramíneas forrageiras. Dessa forma, o nitrogênio é aproveitado de maneira mais eficiente, refletindo em maior crescimento vegetativo, maior acúmulo de biomassa e incremento na taxa de lotação animal.
Nas pastagens intensivas, onde há manejo frequente de cortes ou pastejo rotacionado e demanda constante por rebrota rápida, a aplicação de ureia protegida se torna ainda mais estratégica. A uniformidade da cobertura e a disponibilidade contínua de nitrogênio garantem forragem de alta qualidade, com teores adequados de proteína bruta e melhor digestibilidade. Além disso, o uso da ureia protegida permite maior flexibilidade no momento da adubação, já que o fertilizante apresenta menor risco de perda mesmo em condições climáticas desfavoráveis, como curtos períodos de estiagem.
Outro aspecto relevante é o impacto ambiental reduzido. Ao diminuir a volatilização de amônia, a ureia protegida contribui para a mitigação das emissões de gases de efeito estufa, como o óxido nitroso (N₂O), e reduz o risco de contaminação por nitratos em águas superficiais e subterrâneas. Essa característica a torna uma opção alinhada às práticas de agricultura de baixa emissão de carbono (ABC) e aos princípios da sustentabilidade no agronegócio.
O sucesso da aplicação depende de um planejamento adequado de manejo nutricional. Recomenda-se aplicar a ureia protegida logo após o pastejo ou corte, quando o pasto está em rebrota ativa, e distribuir de forma uniforme sobre o solo. A dosagem deve ser ajustada conforme a espécie forrageira, o histórico da área e a expectativa de produtividade, sendo essencial associar a adubação nitrogenada ao suprimento equilibrado de fósforo, potássio e enxofre.
A aplicação de ureia protegida em áreas de pastagens intensivas representa um avanço técnico importante para o manejo sustentável e eficiente da adubação nitrogenada. Essa prática aumenta o retorno econômico por unidade de fertilizante aplicado, melhora a qualidade da forragem e reduz impactos ambientais. Combinada ao manejo adequado do pastejo e à correção da fertilidade do solo, a ureia protegida se consolida como uma ferramenta indispensável para sistemas de produção pecuária mais produtivos, rentáveis e ambientalmente responsáveis.
Fábio Stevanato.

