Relação com a Epagri vem desde 1995
Maria conta que a primeira vez que teve contato com a instituição foi em 1995, quando o extensionista que atuava no município naquela época convenceu o casal de agricultores a plantar pepino, porque teriam venda garantida para uma fábrica de conservas de Navegantes. Anos depois, a fábrica fechou, e a família apostou tudo no cultivo de cana-de-açúcar e na comercialização de garapa, numa loja montada às margens da BR-101, no bairro São Nicolau, na Penha, que vendia de tudo: de toalhas de praia a pastel.

Mas o manejo da cana na propriedade era dificultado pela falta de drenagem do terreno. Então, em 2005, a família vendeu o sítio e se mudou para o bairro Nossa Senhora de Fátima, onde planta hoje 3,5 hectares de cana e fornece, mensalmente, três toneladas do produto beneficiado para mais de 100 pontos de venda de garapa em Itajaí, Navegantes, Penha e Balneário Piçarras. O esposo José Natalício, 70, ainda ajuda na roça, e a esposa de Maicon, Tamara, atua no beneficiamento. A empresa tem seis funcionários e está expandindo para além dos limites do Estado, no Paraná.
Salto de qualidade veio em 2019 com galpão de processamento
A cana é entregue três vezes por semana por Maicon, que em 2019 voltou para o campo, após tentar a vida como funcionário de uma borracharia e não ter gostado nem um pouco da experiência. A cana que chega da roça é raspada, cortada e embalada em sacos de 20kg para abastecer o furgão. O galpão de processamento da cana, com 150m², foi projetado pelo engenheiro de alimentos da Epagri, Henrique Rett, em conformidade com as normas sanitárias. Os recursos para a construção do galpão e comprar o furgão foram viabilizados através do financiamento do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf).

No mesmo ano, Maria Aparecida fez o curso Flor-E-Ser, onde desenvolveu um plano de negócio para modernizar ainda mais as instalações. “Meu filho é muito exigente com a cana que vende, por isso, a gente precisava de uma câmara fria para acondicionar o produto e não degradar até chegar nos pontos de venda”, explicou. Para adquirir a câmara refrigerada, foi feito um financiamento com recursos do Fundo de Desenvolvimento Rural (FDR) através do programa Realiza.
Antes de ter acesso às políticas públicas, a raspagem da cana era manual, a entrega era feita em fardos e a propriedade sequer tinha alvará sanitário para exercer a atividade. “Eu sempre digo que a Epagri tem um lugar especial no meu coração. É lá que fiz meus cursos de geleias, conservas, pães, os técnicos nos ensinaram como trabalhar melhor, aumentar a nossa renda e melhorar a propriedade. Sou eternamente grata por tudo que fez e faz por nós, por isso nossas portas estão sempre abertas para vocês”.
Por Renata Rosa, jornalista bolsista da Epagri/Fapesc
Fonte: EPAGRI.

