Mercado do leite mantém trajetória de baixa em novembro, aponta Cileite.

Mercado do leite mantém trajetória de baixa em novembro, aponta Cileite.
Derivados seguem em queda, importações elevadas pressionam o mercado e Conseleites projetam novas desvalorizações ao produtor.

O levantamento mais recente do Cileite mostra que o mercado brasileiro de leite e derivados manteve, em novembro de 2025, um movimento consistente de desvalorização, refletindo a combinação de oferta elevada, giro mais lento no varejo e maior competição com produtos importados. Segundo o monitoramento, os principais derivados no atacado — leite UHT, muçarela e leite em pó — recuaram frente a outubro, pressionados por estoques mais altos nas indústrias, negociações difíceis com o varejo e um consumo que segue moderado. A importação de lácteos, em volume elevado, alcançou 177,2 milhões de toneladas, ampliando a concorrência e contribuindo para o cenário de preços mais baixos.

No mercado de leite spot, as duas quinzenas de novembro registraram novas quedas, acompanhando o avanço da captação nas bacias produtoras e a demanda ainda contida por derivados. O ambiente internacional também não colaborou: o índice GDT voltou a cair no mês, reduzindo o potencial de suporte externo às cotações domésticas. Diante desse contexto, as sinalizações dos Conseleites para o leite entregue em novembro e pago em dezembro apontam recuos expressivos ao produtor, com destaque para o Rio Grande do Sul, onde a projeção indica queda de cerca de R$ 0,18/litro, e para o Paraná, com desvalorização próxima de R$ 0,13/litro. A pressão negativa sobre as referências estaduais reforça a tendência de retração nas remunerações.
(Preços pressionados no campo refletem o cenário de oferta elevada, consumo moderado e maior concorrência de lácteos importados no mercado brasileiro. Foto: Reprodução)

Insumos em leve alta e macroeconomia estável

Entre os principais insumos da cadeia, o mês foi marcado por leves valorizações. A soja acompanhou o movimento de alta em Chicago, enquanto as exportações brasileiras seguiram firmes e ajudaram a sustentar as cotações internas. O milho manteve preços robustos, influenciado pela demanda interna aquecida, pequenos atrasos no plantio em algumas regiões e expectativas de valorização no início de 2026, antes da entrada da safrinha. Já o mercado do boi gordo registrou alta em função do ritmo recorde das exportações e da demanda sazonal de fim de ano. No cenário macroeconômico, o PIB do terceiro trimestre apresentou estabilidade ante o trimestre anterior, e o Boletim Focus manteve projeções praticamente inalteradas ao longo de novembro, indicando crescimento de 2,16% para 2025. Esse conjunto de fatores mantém a cadeia do leite em um ambiente de cautela, com margens apertadas e forte necessidade de monitoramento dos indicadores.

Por: Camila Santos

Por: Cileite, adaptado pela equipe Feed&Food.

Fonte: https://feedfood.com.br

Impulso Eco Agro

Revista Eletrônica do Setor Eco Agro.

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