Clima favorece colheita da mandioca, mas retomada industrial limita demanda.

Clima favorece colheita da mandioca, mas retomada industrial limita demanda.

Colheita da mandioca é beneficiada pelo clima, mas liquidez esbarra no calendário das indústrias
CNA/Trilux.

Unidades de fécula e farinha voltam às atividades gradualmente e priorizam contratos antigos; preços da raiz têm variações tímidas, aponta Cepea.

As condições climáticas neste início de ano têm sido aliadas do produtor rural nas principais regiões produtoras de mandioca do país, facilitando o avanço das máquinas e a retirada das raízes do solo. No entanto, o ritmo da comercialização ainda não acompanha a agilidade do campo. De acordo com levantamento divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea)a demanda pela mandioca segue limitada, uma vez que grande parte do parque industrial ainda opera em ritmo de retomada gradual das atividades após o período de festas.

O descompasso entre campo e indústria

O cenário atual reflete um movimento típico de início de safra. Enquanto o tempo firme em diversas praças permite que os trabalhos de campo fluam sem interrupções, a liquidez do mercado — ou seja, a facilidade de transformar o produto em dinheiro — esbarra no calendário das indústrias.

Segundo os pesquisadores do Cepea, as unidades de processamento estão reabrindo as portas aos poucos. Esse fator gera um represamento momentâneo nas negociações de novos lotes no mercado spot (venda para entrega imediata). Como reflexo direto dessa oferta disponível versus demanda contida, os preços da raiz de mandioca registraram apenas pequenas variações na última semana, mantendo o mercado lateralizado.

Panorama das fecularias

O levantamento aponta que apenas uma pequena parcela das fecularias já retomou o processamento total. A maioria das empresas utilizou as primeiras semanas de janeiro para manutenção e organização interna, com previsão de intensificar os trabalhos a partir desta semana.

Outro ponto de atenção para o produtor é a estratégia adotada pelas poucas unidades ativas. Neste momento, a prioridade tem sido o recebimento de cargas referentes a negociações contratadas anteriormente. Isso significa que há pouco espaço para a entrada de novas ofertas “balcão” no curto prazo, exigindo paciência de quem precisa escoar a produção agora.

Leve aquecimento na farinha

Diferente do setor de fécula, o mercado de farinha de mandioca já apresenta sinais um pouco mais consistentes de reaquecimento. A demanda por este derivado, que é base da alimentação em muitas regiões do Brasil, mostrou uma leve recuperação nos últimos dias.

Os pesquisadores notaram um número maior de compradores ativos sondando o mercado. Contudo, a lógica operacional segue semelhante à das fecularias: as empresas do setor, embora mais ativas, também estão focadas em cumprir contratos firmados ainda na safra anterior.

O objetivo é garantir o fluxo das entregas já negociadas antes de abrir novas frentes de compra agressivas. Para o produtor, o momento pede monitoramento diário das cotações e contato próximo com as indústrias locais para identificar janelas de oportunidade conforme a capacidade de moagem for restabelecida plenamente.

Fonte: https://www.band.com.br

Impulso Eco Agro

Revista Eletrônica do Setor Eco Agro.

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