USDA projeta queda na produção de milho e reforça avanço da soja nos EUA em 2026/27.
Projeções iniciais indicam recomposição do mix agrícola americano, com expansão da soja, redução do milho e impactos diretos sobre oferta global e preços dos grãos.
As primeiras estimativas para a safra americana 2026/27 indicam leve redução da área total plantada e mudança na composição das culturas, com maior protagonismo da soja e retração do milho. O cenário foi apresentado no Outlook Forum do USDA e reflete decisões preliminares dos produtores diante da relação entre preços, custos e margens.
A área total destinada a milho, soja, trigo e algodão foi projetada em 94,5 milhões de hectares, abaixo do ciclo anterior. A principal mudança está na redução da área do milho, parcialmente compensada pela expansão da soja, enquanto o trigo tende à estabilidade com leve viés de queda.
Para o milho, a área estimada é de 38 milhões de hectares, com produção projetada em cerca de 400 milhões de toneladas. A retração ocorre principalmente pela menor área plantada, apesar da produtividade elevada, próxima de 11,5 toneladas por hectare, o que pode apertar a oferta e sustentar preços no médio prazo.
Já a soja deve ganhar espaço, com área estimada em 34,4 milhões de hectares e produção próxima de 121 milhões de toneladas. O crescimento é sustentado pela melhor rentabilidade relativa e pela dinâmica de rotação de culturas, além da maior demanda por farelo e óleo, especialmente para biocombustíveis.

O trigo deve produzir cerca de 50,6 milhões de toneladas, queda aproximada de 6% em relação à safra anterior, enquanto o algodão deve recuar 2%, para 3 milhões de toneladas, mantendo abastecimento relativamente equilibrado devido aos estoques iniciais.
No segmento de derivados, a produção de farelo de soja é estimada em 56,9 milhões de toneladas, com crescimento alinhado à maior atividade de esmagamento. O óleo de soja deve atingir 14,2 milhões de toneladas, com destaque para o uso em biodiesel, estimado em 7,8 milhões de toneladas, impulsionado por políticas de incentivo aos biocombustíveis.
O ajuste na área e na produção dos Estados Unidos reforça a relevância da América do Sul como vetor de crescimento da oferta global de grãos. Ao mesmo tempo, o país mantém forte influência sobre preços e fluxos comerciais ao longo da safra 2026/27.
Entre os fatores a monitorar estão compras chinesas de soja, condições climáticas, evolução do consumo doméstico e definições sobre políticas de biocombustíveis, além de novos relatórios de área plantada e produtividade que devem orientar o mercado ao longo do ano.
Fonte: Consultoria Agro Itaú BBA, adaptado pela equipe Feed&Food

