Uso da ureia em áreas de pastagens em momentos de seca.

Uso da ureia em áreas de pastagens em momentos de seca.
A produção de forragem em áreas de pastagens é diretamente influenciada pela disponibilidade hídrica, fator que, em regiões tropicais e subtropicais, apresenta grande variação ao longo do ano. Em períodos de seca ou veranicos prolongados, a redução do crescimento das gramíneas compromete a oferta de alimento para os rebanhos, exigindo estratégias de manejo que aliem eficiência e sustentabilidade. Dentro desse contexto, o uso da ureia surge como uma ferramenta relevante, embora seu aproveitamento exija critérios técnicos bem definidos para garantir benefícios e evitar desperdícios.

O papel da ureia na nutrição das pastagens

A ureia é a fonte de nitrogênio mais utilizada na agricultura e pecuária devido ao seu elevado teor do nutriente (cerca de 45%) e custo relativamente acessível. Nas pastagens, o nitrogênio desempenha funções essenciais:

  • Estimula o perfilhamento das plantas, favorecendo maior densidade de touceiras.

  • Aumenta o teor de proteína bruta da forragem, melhorando a qualidade da dieta animal.

  • Favorece a rebrota após cortes ou pastejos.

No entanto, a eficiência do uso da ureia depende diretamente da umidade do solo, já que a disponibilidade de água é fundamental para a absorção do nitrogênio pelas plantas.

Desafios do uso em períodos de seca

Durante a seca, o solo apresenta baixa umidade, e o metabolismo das plantas se encontra reduzido. Nessa condição, a aplicação de ureia apresenta limitações:

  • Baixa eficiência de absorção: em solos secos, o nitrogênio não é dissolvido adequadamente, reduzindo a assimilação pelas raízes.

  • Perdas por volatilização: a ureia tende a liberar amônia para a atmosfera quando não incorporada ou quando não ocorre chuva suficiente após a aplicação.

  • Risco de desperdício: o investimento no insumo pode não se converter em incremento de produção de forragem, comprometendo a rentabilidade.

Estratégias de manejo para otimizar o uso

Mesmo em períodos secos, algumas estratégias podem potencializar o aproveitamento da ureia:

  1. Aplicação após chuvas eventuais: aproveitar precipitações isoladas pode garantir a dissolução do fertilizante e sua absorção.

  2. Uso em associação com ureia protegida ou estabilizada: tecnologias como revestimentos inibidores de urease reduzem as perdas por volatilização.

  3. Divisão das doses: fracionar a aplicação em quantidades menores reduz o risco de perdas em caso de ausência de chuvas prolongadas.

  4. Integração com suplementação animal: em situações críticas, a ureia pode ser utilizada diretamente como fonte de nitrogênio não proteico em misturas minerais ou rações, fornecendo proteína degradável no rúmen e amenizando os efeitos da baixa qualidade da forragem disponível.

O uso da ureia em áreas de pastagens durante períodos de seca deve ser planejado com cautela. Embora seja uma ferramenta importante para manter a qualidade nutricional do pasto, sua eficiência está condicionada à umidade do solo e às condições climáticas. O manejo estratégico, aliado ao uso de tecnologias que reduzem perdas e à integração com suplementação alimentar, garante melhor aproveitamento do insumo e maior sustentabilidade do sistema produtivo.

Fábio Stevanato.

Fábio Stevanato

Mv. Me. Fábio S. Stevanato - Médico Veterinário desde 1997, Mestre e Doutorando em Agronomia, Produtor Rural, Perito Técnico, Empresário ImpulsoVet / CENTROVET / Global Eco Agro pesquisas e tecnologias www.globalecoagro.com.br / Global Eco Agro Service, Escritor www.filhotedecachorro.com.br , www.impulsovet.com.br , www.impulsoecoagro.com.br , Palestrante e Diretor Cientifico Global Eco Agro.

Deixe um comentário