Balanço 2025: conheça 7 resultados importantes da cooperação da FAO no Brasil no último ano.
O trabalho da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) realizado no Brasil se destacou em 2025 não só no pais, mas também na região da América Latina & Caribe e no Mundo. O grande destaque foi impulsionado pela saída do Brasil do Mapa da Fome – resultado de estratégias que contaram com a cooperação técnica da FAO. Mas a Organização implementou outras ações importantes em conjunto com o Governo Brasileiro, voltadas à inclusão social, ao desenvolvimento sustentável, ao meio ambiente e mudanças do clima, e à transformação econômica. Dessa forma, a FAO atende os compromissos assumidos no Marco de Cooperação das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (2023-2027) e no Marco de Programação País da FAO no Brasil (2024 – 2027).
1.Saída do Brasil do Mapa da Fome
O Estado da Segurança Alimentar e da Nutrição do Mundo (SOFI) 2025, relatório elaborado pela FAO em conjunto com outras agências da ONU, reconheceu a redução da subalimentação e da insegurança alimentar no Brasil no triênio 2022–2024, confirmando a eficácia das ações do governo brasileiro. O índice de subalimentação ficou abaixo de 2,5% da população brasileira, o que, de acordo aos critérios técnicos da FAO, indica que o problema da fome não é mais endêmico no país. Cerca de 30 milhões de pessoas voltaram a ter acesso a três refeições diárias em dois anos. Os dados de insegurança alimentar grave também são positivos: houve uma redução de 6,6% entre 2021 e 2023 para 3,4% no último triênio (2022-2024). São quase 7 milhões de pessoas que deixaram essa situação. Algumas ações da FAO foram fundamentais para este resultado, como o apoio técnico ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e ao Programa de Alimentação Escolar (PNAE). O PAA, executado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e o Ministério de Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), promove o acesso à alimentação adequada e fortalece a agricultura familiar. Já o PNAE, liderado pelo Ministério da Educação (MEC), garante alimentação escolar gratuita a estudantes da educação básica da rede pública. Determina que no mínimo 30% dos recursos repassados para a alimentação escolar sejam utilizados na compra de alimentos da agricultura familiar. A FAO contribui com estes dois programas com análises, estudos e recomendações para aperfeiçoamento. Além disso, atua na disseminação do modelo brasileiro para outros países. Ambos os programas viraram referência internacional como boas práticas de política pública.
2.Reversão do processo de desertificação em áreas suscetíveis do Brasil
Com o apoio da FAO, o Ministério do Meio Ambiente (MMA), implementou ações para reversão da desertificação na Caatinga, em 15 municípios nos estados do Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte, Bahia e Alagoas. As iniciativas fizeram parte do Projeto Redeser (Revertendo o Processo de Desertificação nas Áreas Suscetíveis do Brasil), com recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF). Além do recaatingamento, foram combatidas as causas da desertificação (desmatamento, manejo inadequado). Foram recuperados solos erosivos com a implementação de técnicas de conservação de água, a gestão integrada da paisagem, o manejo florestal sustentável, sistemas agroflorestais e o fortalecimento da apicultura junto a agricultores familiares, povos e comunidades tradicionais. O manejo sustentável no bioma, com a elaboração e implementação de Planos de Manejo Florestal Sustentável, foi impulsionado em cerca de 30 mil hectares. Com isso, houve o fortalecimento da cadeia produtiva de sementes e mudas. Ao todo, 3.172 hectares estão em recuperação com espécies nativas, além do fortalecimento de 12 bancos comunitários de sementes e da implantação de 12 viveiros. Mais de 340 pessoas foram capacitadas no Sistema Nacional de Sementes e Mudas, ampliando a capacidade local de produção, disseminação e conservação de espécies nativas. E quase 2 mil pessoas foram qualificadas, entre agricultores, extensionistas e técnicos. Também fortaleceu-se a liderança de mulheres na região, onde quase metade das propriedades rurais apoiadas pelo Projeto são geridas por elas.
O sucesso da parceria da FAO na implementação do Projeto Redeser levou o MMA a convidar a Organização para apoiar um novo programa, o Recaatingar, previsto no Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca. O objetivo é reverter a degradação sem eliminar o uso produtivo da terra, incentivando o extrativismo sustentável e o manejo agroecológico. Também focará na recuperação de áreas degradadas e conservação da Caatinga, no Semiárido nordestino, com destaque para a participação de comunidades locais, e da juventude. O projeto vai promover a convivência da população com o semiárido por meio do manejo sustentável, da participação comunitária, valorizando a biodiversidade local.
3.Acordo com o Ministério de Povos Indígenas e a FUNAI para avançar no processo de restauração biocêntrica com povos indígenas no Brasil
A FAO deu apoio técnico ao Ministério dos Povos Indígenas, FUNAI, BNDES e MMA para o desenho do Programa “Arco da Restauração”, lançado em 2025. A iniciativa destina R$ 1 bilhão para a restauração biocêntrica e ecológica em terras indígenas. A parceria com a FAO visa fortalecer o modelo de restauração biocêntrica, que utiliza o conhecimento indígena para a recuperação de ecossistemas degradados e garante o “bem viver”. Os próprios Povos Indígenas lideram as ações de restauração, com apoio técnico da FAO e dos órgãos federais. Os projetos incluem o fortalecimento da agrobiodiversidade, segurança alimentar, recuperação de nascentes e formação de multiplicadores indígenas em restauração. A metodologia desenvolvida no Brasil será replicada e adaptada para outros países da América Latina e Caribe, e alimentarão a Rede Global de Restauração liderada por Povos Indígenas, por meio do Centro Global da FAO sobre Sistemas Alimentares dos Povos Indígenas.
4.Reconhecimento pela FAO do sistema tradicional de produção de erva-mate no Paraná como sítio do Sistema Importante do Patrimônio Agrícola Mundial
O Sistema Importante do Patrimônio Agrícola Mundial (SIPAM) é um reconhecimento global da FAO a sistemas agrícolas que geram meios de subsistência em áreas rurais, combinando biodiversidade, ecossistemas resilientes, tradição e inovação de maneira única. O sistema agroflorestal tradicional de cultivo da erva-mate, no Paraná, foi o segundo sistema reconhecido pela FAO no Brasil, após o Sistema de Agricultura Tradicional da Serra do Espinhaço. Numa região fortemente impactada pelo desmatamento, onde resta apenas 1% da floresta original, esse sistema oferece um raro exemplo de práticas agrícolas que preservam a cobertura florestal, ao mesmo tempo em que garante a soberania alimentar e a identidade cultural. Esse sistema mantém mais de 100 espécies de plantas, abelhas nativas, aves e animais silvestres, e sustenta milhares de famílias agricultoras que colhem, beneficiam e comercializam a erva-mate. Este cultivo foi herdado dos povos indígenas Guarani e Kaingang.
5.Expansão do uso de tecnologia no setor aquícola no Semiárido brasileiro e ampliação da rentabilidade
Comunidades rurais do interior do Nordeste brasileiro passaram a adotar a aquicultura como alternativa de renda, aproveitando recursos locais e unindo forças por meio do associativismo. Este foi um dos resultados do trabalho da FAO, em cooperação com o Ministério da Pesca e Aquicultura do Brasil, na execução do projeto “Inovação Organizacional e Tecnológica da Aquicultura de Pequena Escala no Norte e Nordeste do Brasil”, concluído em 2025. A iniciativa ofereceu a aquicultores de pequena escala acesso a ferramentas digitais que contribuem para o monitoramento e a profissionalização da produção e comercialização, por meio da sistematização dos dados, que promove o aprimoramento dos processos de tomada de decisão. Com auxílio do Sebrae, a iniciativa foi implementada em municípios do interior de Alagoas, um dos mais pobres do país, fortalecendo a organização produtiva local com capacitações técnicas e formações sobre associativismo e cooperativismo. O projeto ajudou a alavancar a produção de camarão na região, com um melhor aproveitamento da água salobra, tornando a atividade uma fonte de renda. A aposta do projeto é que esse modelo de aquicultura possa ser replicado em toda a região Nordeste, gerando renda para agricultores vulneráveis. Além disso, foi possível gerar uma base robusta de evidências para apoiar políticas públicas e futuros investimentos no setor. O estímulo à aquicultura de pequena escala insere-se na estratégia da FAO para a Transformação Azul, que visa fortalecer a eficiência, a inclusão e a resiliência dos sistemas alimentares aquáticos.
6.Assistência técnica ao Brasil para o desenho do TFFF lançado na COP30
O Tropical Forest Forever Facility (TFFF), Fundo para Florestas Tropicais para Sempre, na sigla em português, novo modelo de financiamento internacional lançado na COP30, foi concebido pelo Brasil, com apoio da FAO. A Organização fez a modelagem técnica e a definição de parâmetros e critérios de elegibilidade dos Países para aderirem ao Fundo. A FAO utilizou o seu conhecimento na operacionalização de sistemas nacionais de monitoramento florestal em 68 países. Os rendimentos do fundo serão utilizados para remunerar países que apresentem resultados verificáveis de conservação florestal, especialmente aqueles que mantêm taxas de desmatamento iguais ou inferiores a 0,5% de sua área de floresta tropical. O modelo busca recompensar a manutenção da floresta em pé. A expectativa é que o fundo acumule US$ 125 bilhões para fornecer financiamento estável de longo prazo aos países com florestas tropicais protegidas.O mecanismo prevê que pelo menos 20% dos recursos sejam direcionados a povos indígenas e comunidades locais, em reconhecimento ao seu papel vital como guardiões da floresta.
7.Assistência técnica ao Brasil para liderar a gestão integrada do fogo e resiliência aos incêndios florestais
A FAO apoiou o governo brasileiro, por meio do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE), na condução de uma convocação global durante a COP30 para que o manejo integrado do fogo seja elevado a uma prioridade mundial. A iniciativa busca consolidar uma mudança de paradigma nas políticas públicas relacionadas ao tema, deslocando o foco da resposta emergencial aos incêndios para uma abordagem estruturada de prevenção. A proposta reconhece e valoriza o uso tradicional e sustentável do fogo por povos indígenas e comunidades locais, incorporando seus conhecimentos como parte essencial das soluções para a redução de riscos e de impactos ambientais. Até o momento, 62 países e três organizações internacionais já aderiram à iniciativa. A implementação das medidas de prevenção em escala global contará com o apoio da rede Global Fire Management Hub (Centro Global de Gestão de Incêndios Florestais), vinculada à FAO. Entre as ações estruturantes previstas estão o desenvolvimento de estratégias comunitárias, o monitoramento por satélite, o fortalecimento de brigadas e a criação de indicadores para avaliação de impacto.
Fonte: https://www.fao.org

